Slash

Quando lembro de minha infância e pré-adolescência, uma trilha sonora me vem à mente. Eu era muito novo quando aconteceu o primeiro Rock in Rio e não me lembro dos shows, mas um tio meu aficcionado por música havia comprado o LP com canções de alguns artistas do festival e eu me lembro bem de pedir sempre pra colocarem aquele disco… eu devia ter quatro ou cinco anos. Assim, quando aconteceu o segundo Rock in Rio, eu já era um interessado por música, já conhecia algumas bandas, escutava rádio, discos, gravava minhas fitas K7 e principalmente fitas de vídeo, aquelas VHS. Na época daquele festival, havia pedido aos meus pais que comprassem umas fitas VHS pra gravar os shows, que seriam transmitidos ao vivo pela TV. Calculamos, eu e meu irmão, o tempo dos shows e quantidade de fitas… “Ok, dá pra gravar o show do Guns n’ Roses”. Não vou mentir e dizer que eu era familiarizado com a obra do Guns até então, conhecia alguns hits radiofônicos deles, que conseguiram penetrar as fronteira da terrinha dos caetés, acho que “Sweet Child o’ mine”, “Patience” e a versão deles para “Knocking on Heaven’s door”. De qualquer forma, aquele foi o melhor show que eu já presenciara até ali, 20 de janeiro de 1991! Fiquei impressionado por toda aquela performance, fui arrebatado pelo som dos caras… logo, passei a comprar LPs, revistas, ligar para as rádios pedindo música, com uma energia bem próxima do fã (eu acho que nunca fui fanático mesmo por uma banda, mas cheguei bem próximo disso com o Guns n’ Roses). Tudo isso aumentou quando compramos uma antena parabólica e eu pude desfrutar da MTV. Não precisa dizer que meu arsenal de fitas VHS aumentou consideravelmente e a lista de bandas legais que eu conhecia também…

Uma pausa para explicar um detalhe, se você não é e nem nunca foi de Maceió: o acesso aos produtos culturais aqui é complicado, sempre foi! Achar um simples LP de uma banda que você via na MTV não era fácil, demandava um grande esforço, uma busca incessante por lojas de disco da cidade (mas naquela época havia algumas bacanas) e também não havia esse boom da internet com sua possibilidades de download… consumir música em Maceió era um garimpo muito mais interessante, acho que até fetichista. Achar determinadas revistas também era complicado, algumas publicações não chegavam aqui; até escutar rádios era complicado porque nem tudo chegava até elas. Mas mesmo assim todo o panorama da cidade era mais atrativo no início da década de 1990. E no início dessa década eu era doido por Grunge e Guns n’ Roses! 

O som das guitarras do Guns sempre mereceram um destaque… Slash sempre foi para mim um dos grandes instrumentistas de Rock, um daqueles músicos que consegue criar um estilo identificável ao instrumento, como se ele fosse a sua voz. Fiquei realmente triste com a decadência de uma banda tão poderosa… Ainda lembro da sensação de pegar os dois álbuns duplos “Use Your Illusion” nas mãos, algo como a excitação de um expedicionário ao pegar um mapa de uma terra cheia de possibilidades.

Capa do livro "Slash": Leitura recomendável!

Enfim, outro dia estava vagando pelo Orkut quando vi a foto do nosso grande amigo Diego Barreto com um livro nas mãos: era a biografia do Slash, e eu não podia deixar de ler esse livro. Depois que o Diego disse onde encontrar um exemplar daqueles, eu parti em busca pela cidade, sem obter êxito (mais uma prova de como é difícil ter acesso a certas coisas aqui na cidade). Recorri à Internet e eis que devorei-o em poucos dias.

Muito interessante saber detalhes da carreira de uma das bandas que me fez a cabeça ainda na infância, detalhes de como compunham, como se preparavam para shows, de seus sentimentos e relações com a música, da paixão pelo rock e o empenho com o qual mergulharam na famosa tríade do gênero: Sexo, drogas & Rock n’ Roll! Nossa! A trajetória desse famoso Guitar hero é digna dos mais pesados testemunhos de drogados em grupos de recuperação. Slash comeu o pão que o diabo amassou… o Rock foi sua ruína, mas também a sua redenção… uma história cheia de revelações contada de uma maneira tão sincera que é difícil achar que aquilo tudo é mentira, por mais que tudo seja exagerado; é apenas a versão dele para os fatos.

De qualquer maneira, uma boa leitura pra os interessados no gênero, Recomendo!

Aquele abraço!

Diogo Braz

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