O sucesso de audiência deve ter influenciado a decisão da direção da novela do disco da Eek. Com quase 7 anos de banda e algumas tentativas de gravar a bolachinha… parece que tudo vai seguindo o cronograma, dessa vez. Admitimos toda a culpa pelo atraso, somos um bocado negligentes quando o assunto é Eek. Felizmente as coisas parecem que estão mudando dentro do nosso estado democrático de direito.
O Capítulo 114 é um daqueles cheios de flashbacks, para explicar melhor a história. Eu (Diogo) e Christophe formamos a Eek em agosto de 2003. Na época, ela era uma válvula de escape mesmo, pois nossa antiga banda (Sr. Miagy) havia acabado e a gente estava tocando numa banda de barzinho, com repertório cover, chamada Nitro.
A gente começou a ensaiar de brincadeira, com o Tiago Souza no baixo. Mas o Tiagão tinha uma agenda cheia de compromissos e pouco tempo pra banda, então chamamos o nosso “brodinho” Emmanuel Sapulha pra assumir as quatro cordas. Com o Sapo, batizamos a banda, fizemos um show e a nossa primeira gravação: 7 músicas próprias e 1 cover do Queens of The Stone Age (Go with the flow), que gravamos no estúdio de ensaios do Sapulha… Aí ele foi morar em outro país.
Passamos um bom tempo parados até a entrada de Felipe Reis, no baixo, e Kako Vieira, na guitarra solo. Com essa formação também fizemos uma única apresentação, no Femusesc, defendendo a canção Paranóica. Nesse ponto, já era o ano de 2005. Felipe saiu para se dedicar ao Barba de Gato. Novamente, sem baixista!
Foi o ilustre Saulo Guimarães, na época o dono do estúdio Poker, que indicou o João Carlos Ribeiro pra assumir a vaga. O João trabalhava lá no Poker e já era uma espécie de multi-instrumentista (tocava teclado na banda Poker e depois passou a tocar bateria na Vagalume… além de ser fodão no baixo). Com o João, nós tomamos jeito de banda. Fizemos alguns shows, com certa regularidade, participamos de festivais, encontros de estudantes e… nos preparamos pra gravar uma demo com quatro músicas. O Saulo nos cedeu a sala do estúdio Poker pra gravarmos e lhe seremos eternamente gratos por isso! O técnico de áudio dessa demo foi Éder Marinho, grande figura, que hoje está morando na Nova Zelândia… O Éder foi super gente boa, mas levamos um bom tempo para finalizar tudo. Começamos em 2006 e fomos terminar a mixagem em 2007, no dia em que o Éder arrumava as malas pra partir de viagem.
A princípio, a gente ia prensar e lançar essa demo, mas as coisas foram se arrastando e a gente perdeu o bonde. Decidimos deixar como estava e começamos a pensar em gravar um disco mesmo. Os shows estavam acontecendo, demos algumas entrevistas em rádios, em programas de TV, mas quando a pergunta sobre o disco de estréia surgia, nós tínhamos a resposta na ponta da língua: “estamos nos preparando pra entrar em estúdio e o disco deve sair em breve.” Não era mentira, a nossa preparação é que foi demorada mesmo. Além disso, João Carlos passou no mestrado e teria de se mudar para Pelotas… tínhamos de agir.
A gente começou a gravar com o grande tecladista Dinho Zampier, no estúdio alí perto da Ladeira do óleo. Não seria um disco normal, apenas com faixas de potencial comercial, teria de ser uma reunião das músicas que a gente já vinha tocando no nosso repertório, que, diga-se de passagem, é grande. Gravamos as baterias das 19 músicas, mas esquecemos de utilizar o metrônomo… o João chegou a gravar os baixos e eu algumas guitarras… mas paroupor aí. O Kako nunca colocou as guitarras. Nessa época o Sapulha morava em Amsterdam e o nosso plano era pra ele mixar tudo lá. Não deu certo.
A banda mudou, saiu João, entrou o queridíssimo Maxwell Moraes, fizemos alguns shows com ele, mas ele acabou tendo de sair por conta do seu horário de trabalho e estudos. Tentamos contato com vários baixistas, mas nada frutificável. Passamos um outro período grande sem atividades. A banda ia até acabar, mas voltamos. Nessa reformulação, o nosso querido amigo Kako Vieira deixou de integrar a banda, e passamos a contar com Wagner Sampaio na guitarra solo e Leo Tarja Preta (primo do Kako) no baixo.
Aí decidimos que era hora de gravar. Chamamos o nosso camarada Márcio Brebal pra realizar a difícil tarefa. Difícil mesmo. Gravamos 19 baterias com o Brebal no estúdio do Dinho, com a mesma burrada de não ter feito isso com metrônomo. Gravamos novamente as baterias no Poker, com o Brebal. Mas achamos que era hora de buscarmos algo do início novamente, chamarmos o Emmanuel Sapulha pra gravar. Ele está morando em Maceió, com estúdio, tirou leite de pedra na nossa primeira gravação…
Nesse meio tempo, nós fomos selecionados num edital da Secult para receber uma ajuda de custos para gravarmos o disco. Em contrapartida, teríamos de fazer isso num prazo curto de tempo: 4 meses. Como a agenda de compromissos do Brebal estava muito lotada, a gente decidiu mesmo optar pelo Sapulha pra fazer a gravação.
Assim, terminamos há pouco a gravação das baterias (novamente) e na próxima semana devemos seguir com a produção: Baixo, guitarra base, guitarra solo, e vocal, mais algumas gravações adicionais, mixagem, masterização, e burocracia na fábrica…
O resultado está ficando interessante. Acho que valeu a pena esperar.
Aquele abraço!
Diogo Braz