O dia hoje correu acelerado dentro da minha cabeça, mas passou lento pela janela do carro. Acordei cedo para melhor aproveitar o dia, espremendo compromissos inadiáveis entre as poucas horas que eu pensava possuir. Mas como pode alguém ter tempo para fazer algo? O tempo não se tem, pô! O tempo se encarrega de nos apagar. Ele passa por nós levando nossa juventude, nossas lembranças, esperanças, mas também as frustrações e decepções… nada escapa à borracha do tempo!
Dentro do carro, pela janela, a Fernandes Lima era como uma artéria entupida de um cardíaco prestes a infartar. Os carros com as suas luzes de freio vermelhas como hemácias… Presos no congestionamento, correndo contra o relógio para tentarmos chegar no horário de mais uma apresentação da Eek, estávamos eu e Wagner, discutindo sobre como os anos estão passando rápido, como a vida passa depressa… e lá estava um cadáver estendido no asfalto, coberto com uma manta… talvez para afastar os curiosos, que saciavam sua nefasta curiosidade enquanto atrapalhavam o trânsito e a vida de quem queria apenas seguir seu caminho, de forma rápida, tal como a vida que se esvaiu daquele motoqueiro morto em acidente de trânsito na Avenida fernandes Lima. Como diria Chico Buarque, em sua Construção: Morreu na contramão atrapalhando o tráfego…
Já percebeu como a vida é frágil? Se você está vivo, não é para sempre. Mas uma vez morto, sempre morto… para sempre! A morte é eterna, colega!
Pela manhã, algo parecido também aconteceu: tráfego lento em todas as direções, protestos que bloqueavam ruas (sou contra esse tipo de protesto que atrapalha a vida das pessoas que não causaram os problema para a categoria que protesta), obras interditavam vias… talvez seja o momento para se discutir sobre os melhores meios de transporte, não acha? Não quero falar aqui que o automóvel é do mal, nem tampouco que ele veio para levar o paraíso ao homem. Somente acho que não dá para se pensar numa cidade onde o automóvel seja o único meio de transporte… Mais cedo ou mais tarde os carros vão entupir as vias assim como a gordura vai entupir as nossas veias. Metrô e trem até que iam bem… rima! Enfim, isso será assunto para posts futuros. E nem venha dizer que existe trem em Maceió…
De qualquer maneira, chegamos ao teatro do colégio Marista… atrasados! Ainda bem que não somos britânicos. Somos de Alagoas, terra que tem como caractarística a pontualidade… ou a falta dela! Ou seja: nenhum evento começa na hora marcada. Nunca! E com o Festival do Marista não foi diferente. Podem até dizer que começou atrasado porque o baterista da Eek não chegou no horário, mas os “simpáticos” amigos do som nem haviam colocado os microfones ainda… viu? a culpa não foi toda nossa
Mas isso parece fazer parte do folclore da cidade. Por exemplo: o InTR3Sessões começa pontualmente 30 minutos atrasado, algo como uma tolerância para o público que já incorporou o atraso à sua agenda. Enfim, não sei se é uma impressão particular, mas somente sessão de cinema e Ave Maria no rádio é que são eventos pontuais aqui na cidade.
Mas voltando ao motivo do post: o pessoal da organização foi muito bacana em ter convidado a gente para tocar no evento. Temos de bater palma para esses jovens que organizam um festival de música tão bacana, onde o Rock é o estilo musical que mais se destaca!!! Bem diferente dos demais festivais de música do estado, que ainda parecem – todos – um festival de música “regional”…
Foi um show com um repertório semelhante ao que a gente tocou no festival dos nossos camaradas da Deslucro (no domingo passado), com algumas músicas que a gente não tocou na ocasião, como “Calendários”, “Chegando ao fim” e “Música de auto-ajuda nº4″…
Foi um show dinâmico, mais rápido que o tráfego da Fernandes Lima…
Curiosidades: O Léo Tarja Preta tocou as primeiras músicas sentadinho num banco atrás das cortinas (tá feliz com o Fluzão, né, major?). Ficou aquele clima engraçado “cadê o baixista?” ; o gentleman da banda, Wagner, dirigiu seus peculiares impropérios à platéia mais uma vez (huehuhuah), O Chris só tinha uma baqueta pra tocar… teve de pedir uma emprestada; e eu esqueci a letra de “Tempo” e sigo mantendo a média de uma embromaçãoliterária por apresentação… acho que dá pra ganhar por saldo de gols.
Enfim, este também foi chato, né? não prometo mais nada… só penso agora no pobre motoqueiro abatido nessa guerra diária que é o trânsito nas cidades.
Abraço Forte!
Diogo Braz



